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quarta-feira, 25 de abril de 2012

Mãe de um adolescente

Miguel, criança doce, amável, tranquilo, dorme a noite toda, sorridente e calmo.

"Isso não te pertence mais!".

Sim, agora meu filho é um ser que se recusa a guardar brinquedos (e quando eu peço, ele ainda espalha os poucos que estavam organizados), que diz NÃO, NÃO, NÃO a tudo que eu mando. Que bate cabeça na parede, simula choro, se debate no chão quando eu nego algo, bate na minha cara (e na de quem lhe der qualquer ordem), se nega a andar na cadeirinha do carro, ameça me colocar de castigo, chora durante horas até cansar mas não pede desculpas (quando eu mando ele reparar as malcriações), joga copos e objetos no chão quando não é o que ele quer...enfim, meu filho virou um adolescente.

Sim, eu sei, isso deve ser o tal do "Terrible Two", mas quero depoimentos verídicos: isso passa? Há algum grupo de apoio às mães que tem filho que sofre desse mal? Um grupo anônimo onde a gente pode compartilhar: "hoje meu filho de 2 anos me bateu e eu sentei à margem do rio piedras e chorei?". Um ambiente onde outras mães também digam que seus filhos são miniaturas de ogros com brutamontes e que ás vezes você tem vontade de, de, de.... (insira aqui algum método de tortura chinesa ---------------) com ele? É normal se sentir um fracasso humano? Quando ele vai entender que NÃO é pra NÃO fazer aquilo (e não o contrário)? Um lugar de aconchego onde mulheres se unirão em prol de uma campanha : "filhos, do nascimento, pulem para o 4º ano de vida". Amigas que em solidariedade dirão: "nossa, isso não é nada perto do que o meu faz" ou "O que? cuspiu na sua cara? Ah, relaxa, o meu faz isso todo dia". Enfim, um mundo que te aceita como você é , uma pessoa que não pode frequentar locais públicos porque ou seu filho destrói tudo o que vê pela frente #tazmaniafeelings ou simplesmente porque você tem vergonha de sei lá, apanhar em público.


E assim eu sigo, caminhando e cantando e seguindo a canção. E por falar em cantar, não basta isso, seu filho desenvolve um senso musical muito duvidoso.

-"Mãe, põe Kuduio" (Kuduro, na versão de Latino).

Chega em casa cantando: "Ai ai, aiaiai, assim mata papai" (Sorriso Maroto) . E pára o que estiver fazendo pra dançar Michel Teló. Gente, cadê as cantigas de roda? E as musiquinhas infantis? Meu adolê aprende sasmerda  não sei onde, já que eu só escuto Chico Buarque e música clássica. Cof, cof.

E querer casar com a coleguinha de classe? Tudo bem. Mas e pegar o celular e falar: "Oi Sufia. Que bijar você". Gente?

E o cúmulo, do cúmulo: Quando ele quer algo e eu não dou, ele apela, fala:

- "Por favor, minha pincesa?".

Na minha época os homens começavam a manipular as mulheres um pouco mais velhos, não?

Aceito técnicas de educação rigída, baseada no amor, sem violência, que me ajude a colocar limites nessa criança. Aceito também indicações para participação no grupo MACA (mães de adolescentes em crise anônimas).

Ps:  Filho, te amo cada dia mais.

terça-feira, 8 de fevereiro de 2011

Desabafo de uma mãe real (E notícias da Doriana)

Bom, primeiro PRECISO dizer que tô honrada com a repercussão que meu texto provocou. 25 comentários. Mais incontáveis RT's e indicações no twitter. Pra quem tinha ficado 2 meses sem postar tá OTEMO.
Então, tava aqui pensando em como responder os comentários. Se aqui, se no blog de quem comentou (E quem nao tem blog?) e...não cheguei a conclusão nenhuma. Vou pensar. Mas nao quero que achem que sou relapsa (tudo bem que eu sou, mas...) e ignoro, porque amo cada participação nesse blog, tanto que hoje terá um texto de uma leitora que se identificou com o texto, nao tem blog e pediu pra eu postar.

Antes de publicar, quero responder um comentário em especial, da Lillis. Algumas partes que vou comentar:

 "(...) Acho normal que vc tenha vontade de ter uma babá ou que deixe seu filhote com seus pais quando precisa descansar. Mas também acho normal que algumas mães optem por tomar conta dos filhos full time. Mesmo que elas tenham blog e twitter e mesmo que reclamem dos filhos. Não acho que cabe julgar o jeito que cada uma escolhe cuidar de seus filhos.

Acho estranho vc não considerar um monstro uma mulher que não sente absolutamente nada pelo filho e ao mesmo tempo não compreender uma mãe que reclame do filho no blog.

(...) Por último eu preciso dizer que vc consegue olhar para as mães e tirar delas a culpa e a responsabilidade. Mas e os bebês onde ficam nessa história? Desculpa mas não tenho como não achar as suas idéias egoístas em muitos aspectos. Eu acho que ter filhos é sim uma escolha. Senão pra 100% das pessoas com certeza para todas as mães que tem blog e twitter. Essa escolha implica em responsabilidades para com o bebê que merece sempre o melhor de nós. Agora o melhor que eu posso dar ao meu filho não necessariamente é o mesmo que o seu e de outras mães."

Lillis, primeiro obrigada pelo comentário respeitoso, apesar de divergente da minha opinião, isso é fundamental. Segundo, vou responder aqui não pra te expor, mas para me explicar melhor às outras pessoas também.
 
 Em primeiro lugar eu não quis julgar ninguém (e acho que não o fiz), ao contrário. Em nenhum momento critiquei as mães que cuidam do filho full time. O ponto é o oposto. As mães com babás/creches é que são julgadas, na maioria das vezes (como no caso da discussão do Twitter).
A questão de não compreender as mães que reclamam dos filhos no blog: compreendo, mas são justamente essas que batem no peito pra dizer que são supermães, que julgaram as outras. Eu particularmente não acho bacana ficar reclamando do filho o dia todo em redes sociais ("ai esse menino nao dorme", "ai que fulaninho ta um porre hoje", "ai que eu to doida pra ele crescer logo" e enfim...), acho uma exposição totalmente negativa da criança, mas legal quem curte, só não vem depois pagar de mãe perfeita. A questão é só essa.
Quanto ás minhas idéias serem egoístas, não acho que sejam não. Seu comentário tá cheio dessa lógica de maternidade divina. Querer tempo pra si, não gostar de realizar certas tarefas ou outra coisa pensando na mãe é NÃO PENSAR NO BEBÊ E SER EGÓISTA pra você.
Em nenhum momento apoiei a negligência, a verdadeira terceirização dos cuidados do filho ou qualquer outra coisa. É pensando no bem-estar das crianças, no caso do meu filho é que penso em estar bem, descansada quando der, sem culpa e feliz para dar meu melhor pra ele.
 
Outra coisa que pode ter ficado confuso no texto: gente, não deixei de acreditar no natural. Todos sabem que sou defensora árdua do parto natural, da amamentação prolongada, da educação por "apego", de tudo que torna a maternidade ativa, mas só acho que isso é mais construção do que gen predeterminado. Sou mamífera, mas como disse uma vez minha amiga @lelezinga, o que torna a mulher diferente das outras mamíferas é o poder de racionalizar. Sou mamífera sim, mas sou mamífera pensante e questionadora das coisas inquestionáveis,rs.


Por isso fiquei IMENSAMENTE tocada com o desabafo que postarei a seguir. De uma mãe real, sem máscaras, com medo de ser julgada inicialmente e que, com o meu texto viu que existem outras milhares de mães que também vivem algo parecido com a realidade dela.
 
O e-mail recebido:
 
"Bom, primeiramente quero dizer que quando entrei para o twitter foi porque eu queria descobrir novas coisas a respeito da maternidade e no fim acabei descobrindo que existem centenas e centenas de mulheres como eu. E vc é uma delas. Eu não entro para escrever mto mas sempre entro dar uma lida e me identifico mto com algumas de vocês. Acompanhei seu parto, narrado pelo seu marido e gritava para minha mãe cada vez que ele twittava alguma novidade. Ficamos eu e ela aguardando o nascimento do Miguel. Tenho 22 anos, solteira, sem namorado, uma mãe um tanto quanto instável e uma família bem complexa. Obviamente que quando falo da instabilidade da minha mãe, não significa que não deu apoio, sim ela deu muito apoio na gravidez, me disse coisas lindas de incentivo, mas depois que ela nasceu eu aprendi que só posso contar comigo mesma e o que vier dos outros é lucro. O texto abaixo fica a seu critério, se quiser postar no blog tudo bem, se não já fico feliz de desabafar e saber que alguém vai ler e me entender! Não vou escrever bonito, nem em tom poético, simplismente vou escrever meus sentimentos.

Beijos carinhosos.

Marina"


O texto:

“Isto é o desabafo de uma mãe reclamona, sem muitos motivos para tal. Sem ser redundante vou começar pelo começo: quando minha filhota nasceu eu tive medo, muito medo, que o pai dela quisesse pedir guarda compartilhada, levar para casa dele com ela muito pequena, interferisse na educação (a dele não é um exemplo de dignidade e caráter), então foi aí que começou o meu erro, fiz a minha filha se tornar o ser mais dependente da mãe que existe, ela nunca teve hora pra mamar, sempre mamou a hora que quis e nunca ofereci uma mamadeira de nada pra ela, dormia junto comigo, mamando a noite toda praticamente, fez meu peito de chupeta. O tempo foi passando o pai dela nem sinal de nada, sem querer se aproximar, visitas no máximo 1 vez por mês e junto da namorada ainda por cima.

Ela crescendo, completou seus 8 meses e mesma rotina.

Minha mãe sempre me criticando, brigando, falando que não é assim que se cria filho. Que ela come mta papinha pronta que eu devia cuidar melhor das roupas dela lavando a mão, que ela passeia pouco (tenho 45 kgs, ela 10 kg, meu prédio não tem elevador para descer com o carrinho e eu não dirijo), ai a pergunta é passear como e onde? Mas modéstia a parte e deixando as criticas de lado, eu sei que sou boa mãe, minha filha hj já tem 1 ano e nunca tomou um remédio, forte, linda, anda por todos os lados, elogiada onde passa, vive rindo, simpática, esperta. (se errei até agora foi comigo mesma e não com ela). Sem contar as brigas por causa do pai, que eu devia entrar na justiça, pedir pensão, só que sinceramente prefiro viver no aperto do que fazer isso. eu estou no 5º ano de Direito e sei o que um processo desses pode gerar, só que a maior parte dos gastos da minha filha são a minha mãe que cobre, então escuto td quieta.

Durante td esse tempo, me perguntava pq justo na minha vida foi acontecer isso, pq eu tive que engravidar dentre tantas outras mulheres que transam sem camisinha, porque eu? porque na minha vida as coisas são tão difíceis, pq eu vivo tão sozinha? Porque eu sinto um amor tão imenso e completo, mas não me sinto completa? Um dia vou poder voltar a ter a minha vida?

E agora td isso se intensificou a ponto de comprar o PPV do BBB e ficar vendo as festas e me sentindo nelas, como se eu tivesse ali dançando, bebendo, me divertindo, sem nenhuma culpa ou compromisso. (sim isso é a mais pura verdade, apesar de parecer um pouco patético). Mas ficar em casa sozinha de um lado para outro (sim todos na casa saem se divertir e eu fico aqui cuidando da filhota) toda as férias só podiam me causar uma loucura dessas.

Em janeiro minha pequena completou 1 ano eu tentei desmamar, para conseguir ficar mais independente, poder pelo menos ir num barzinho com as minhas amigas, mas não há maneira de fazer isso. (ela não dorme se não tiver no peito e acorda de 2 e 2 hs), foi ai que decidi, colocar ela na escola, procurei, pesquisei e matriculei para poder ir atrás da minha vida, eu não tenho mais tempo a perder, agora sou eu por nós duas. Arranjar um estagio, tentar me preparar para prova da Ordem, terminar a monografia. To me sentindo culpada, pois até eu achar um estagio (assim que terminar a mono) vou estar em casa e ela poderia ficar em casa comigo, mas sinceramente eu vou chegar no meu limite se isso acontecer, estou cada dia mais cansada. e acredito que com a escola o desmame seja mais fácil, ela ganhe uma rotina no sono. Torço para que tudo de certo e melhore e que seja bom para nós duas. Afinal temos uma a outra e isto basta. A força que eu sinto quando olho pro seu sorriso move montanhas e eu sei que essa sensação de que minha juventude e meu lado mulher morreram vai passar e tudo vai melhorar, mas por enquanto continuo seguindo cada dia entre erros e acertos e a certeza de tudo caminhará para um novo e lindo recomeço. A minha vida ainda está só começando e há muita coisa guardada pra mim nessa estrada.

Aprendi que ninguém nasce mãe, eu não nasci com o tal do instinto materno, que mãe erra e se culpa muito, e que a culpa é inerente a toda mãe. Aprendi que quando a gente erra estamo sempre querendo acertar, ninguém erra querendo errar. Aprendi ainda que ouvir os outros as vezes é necessário, mas as vezes da vontade de mandar um CALA A BOCA E NÃO SE METE. Aprendi que o tempo é o nosso maior amigo e inimigo, devemos sempre saber lidar co ele. E com certeza o meu maior aprendizado foi que um filho é uma dádiva concedida as pessoas, mas como toda dádiva traz um pacote de obrigações deveres e limitações e a nós cabe aprender a lidar com cada uma delas. O fato é que vence quem se adapta melhor as dificuldades. É isso!”
 
É isso. Marina, adorei sua participação e mais ainda sua coragem. Tem uma rede de mães pra te dizer: estamos juntas nessa coisa louca (no bom sentido) que é ser mãe, viu?
 
(Mas a MÃE PERFEITA manda lembranças. Leia aqui o texto impagável da @bruxaOD: "Doriana e a terceirização de crianças")
 
Ps: Leia também o texto LINDO da @ligiane_castro "Filho, eis aqui tua mãe"  .E o da @tatianapassagem ""Diga não ao buylling materno" !

Ps2: A frase direita do topo do blog está completamente divergente de minhas idéias, eu sei. Mas logo logo isso será sanado. Ass: Marília, a paradoxal.
Beijos

quarta-feira, 2 de fevereiro de 2011

Mãe não é instinto! (ou prazer, sou mãe de merda)


Oi, meu nome é Marília, sou mãe, mas não sei fazer papinha/comida pro meu filho. NUNCA, em seus 11 meses eu fiz. Não gosto da hora da refeição dele (não tenho muita paciência). Não curto muito trocar fraldas cagadas ate o talo e...me considero uma boa mãe. Ah, esqueci de dizer : sempre que posso deixar meu filho um momento com minha sogra ou mãe para eu descansar ou ter um momento de lazer, eu faço, SEM CULPA.

E aí, me atirem as pedras.

Há muito tempo queria escrever sobre isso, sobre o conceito de maternidade que temos, mas só depois de ontem- quando rolou uma discussão no twitter - que tomei coragem. Me empoderei  mais sobre o assunto maternidade quando terminei de escrever minha monografia, há dois meses mais ou menos.
Tá, é estranho uma mãe dizer que passou a entender a maternidade depois de ler/escrever sobre o assunto e não depois de vivê-la. Mas deixa eu explicar.
Vivendo a experiência da maternidade, eu conheci a realidade (ás vezes bem diferente daquele cenário cor de rosa que pintavam) e pesquisando, eu descobri como o conceito de maternidade foi CONSTRUÍDO SOCIALMENTE ao longo do tempo. Sim, construído.

Na minha pesquisa, intitulada de "O LADO ESQUECIDO DA ADOÇÃO: UMA REFLEXÃO SOBRE AS MULHERES QUE ENTREGAM OS FILHOS EM ADOÇÃO, POR INTERMÉDIO DO JUDICIÁRIO, NO DF" meu foco não era o conceito de maternidade em si, mas analisar as mulheres que procuravam a justiça para entregar o filho. Conhecê-las e entender os determinantes que as levaram a fazer tal ato. Porém, era necessário investigar como nasceu o conceito de "instinto materno", ja que as mulheres que rejeitam os filhos (seja praticando aborto, entregando para adoção ou abandonando em ruas, praças, etc) são estigmatizadas e julgadas como não portadoras desse "instinto".

O livro base para essa análise foi  "Um amor conquistado: o mito do amor materno", (em PDF, aqui )da feminista francesa Elisabeth Badinter. Me apaixonei. Quase mudei o foco do meu trabalho e fui à praça pública queimar meu sutiã de amamentação.  Serião.
Entre outras coisas, o que a autora prova por A + B diz que o instinto materno não existe. Pelo menos não biologicamente. Ou seja, o fato da mulher nascer pronta pra procriação não a torna apta a MATERNAR. (Por maternar entende-se cuidado, apego,exercer a maternidade de fato), tampouco ela se torna meiga, doce, paciente, e tudo de melhor porque pariu. Simples assim.
Uma mulher pode dar a luz e não sentir nada por aquele filho. E NÃO SER UM MONSTRO POR ISSO.

A autora explana que antigamente, as crianças não tinham valor nenhum para a sociedade (tanto que eram mandadas às amas de leite, em seguida p/ internatos...) e que portanto não era cobrado às mães esse ideal de perfeição, aliás, não era cobrado nada das mães. Houve época inclusive que o infanticidio era aceito normalmente. Todos os autores que falam da história da criança  citam esse período e aquele crucial em que, a criança passa a ser vista e adquirir valor mercantil (poderio militar e recurso humano para acumulação de riquezas).

Após essa valorização da infância, as mulheres passaram a ter poder fundamental nisso, pois foi dirigido a elas o dever de gerar e cuidar de filhos fortes para o Estado. A amamentação, começou a ser incentivada e para que as mulheres tomassem prazer com os cuidados dos filhos vários discursos foram dirigidos a elas, inclusive o de que era destino divino da mulher cuidar do filho (logo, aquela que fugisse disso sofreria as consequencias de Deus). Começou-se a relacionar os atributos biológicos à maternidade, como se o instinto materno fosse como o de sobrevivencia por exemplo, algo predeterminado. Nascia o ideal da boa mãe (ou mãe perfeita), difundido pelo Estado, pela Igreja e pelos filosófos. Com o tempo, a maternidade tornou-se destino obrigatório da mulher e aquelas que por ventura fugissem dessa "norma" eram julgadas e condenadas moral e socialmente (como aliás, também são até hoje).

Bom, impossível resumir em três paragráfos o que um livro dessa profundidade traz, mas que quero dizer que SUPER CONCORDO com essa teoria. Na conclusão da minha pesquisa, constatei que a maioria das mulheres que procuravam o judiciário para entregar o filho em adoção, o fazia por outros determinantes (como principalmente filho fruto de estupro/violencia, falta de rede de apoio, ausencia de familia/companheiro e falta de condiçoes financeiras) e não porque eram más, crueis, preguiçosas ou sei la o que. Mas tambem observei que o medo de serem julgadas era grande, visto a sempre preferencia pelo anonimato (e claro a adoção direta a mãe, ou "intuito personae"). Visivelmente, apenas uma mulher entrevistada deixou claro que não queria exercer a maternidade de fato e a frase que disse no atendimento me marcou : "esse filho irá me atrapalhar no emprego, nas minhas coisas".

E aí todos pensam: que egóista !Como pode pensar na própria vida? Mãe que é mãe não rejeita. Mãe que é mãe cuida, nao importa a circunstancia.Pra que abriu as pernas então?

Bom, não quero entrar no mérito (agora), mas infelizmente, nesse país não há uma política séria de planejamento familiar e o aborto ainda não é legalizado (polêmica, deixo minha opinião depois). Ou seja, as mulheres são induzidas a ser mães sim! (Tá que a camisinha é de graça no posto, que existe informação e blabla...bora sair do senso comum?). E muito mais do que isso, o legado da mãe ideal existe e persiste.
Como comecei no início do post (sim, é a mesma coisa), as pessoas pensam que ser mãe é ser um ser divino (não dizem que mãe é um pouco de Deus?). Que não pode se estressar. Que TEM que fazer tudo. Que tem que, literalmente padecer no paraíso.

Ontem, a discussão com as #twitmães era sobre babá/creche, ou a chamada "terceirização dos filhos". Endossei o comentário da @lubrasil e disse que se EU pudesse, pagava uma babá pra me ajudar nos cuidados com o Miguel aos finais de semana. Tipo, trocar fralda, fazer/dar a papinha ou outra coisa qualquer. Falei que ficaria muito mais descansada para poder curtir meu filho e dar tempo de QUALIDADE pra ele.
Sim, porque maternidade é 50% cansaço e 50% prazer´e muitas vezes, você não desfruta o prazer porque está EXAUSTA. Daí a culpa por não dar o carinho e a atenção que seu filho merece ainda te rouba 25% do prazer. Me digam, por que, nao posso pagar alguem p/ me AJUDAR nos afazeres com meu filho? Isso é me tornar menos mãe? Sim, porque queria alguém pra me ajudar, e não para CRIAR meu filho pra mim.

Uma mãe que põe o bebê na creche meio período pra coçar e estar DESCANSADA e DESESTRESSADA depois não é melhor que uma que bate no peito pra dizer que é mãe "full time", mas fica na internet o dia todo enquanto o bebê está no chiqueirinho ou no chão da sala desatendido? Ou então que se orgulha de dizer que não tem babá e tal, mas tem twitter e um blog só PARA reclamar da criança, que ta cansada, que ta perdendo a vida e o escambau?

Olha, como eu disse ontem, não é porque tenho útero e pari que tenho que AMAR amassar legumes ou limpar catarro escorrendo. Ok, eu sei dos cuidados que uma criança dispensa, e que mãe tem que botar a mão na massa, faço até, mas nao acho que tarefas "braçais" sejam exclusivas de mãe.

Vem cá, você ama sua mãe né? Quando você pensa nela, você pensa assim "ai minha mãe me ama tanto, limpou meu cocô a vida toda". É? Eu penso e lembro da minha mãe não pelas comidas que ela fez (ate porque quem cozinha lá em casa é meu pai), nem pelas vezes que ela me deu banho, mas lembro das vezes que eu chorei e ela me deu colo, do tempo que ela brincava comigo, das broncas e correções, dos conselhos, do amor que ela me dispensa. Simples assim.

Ser mãe não é ter um parto natural sem analgesia, nao ter babá, amamentar exclusivamente ate os 06 meses (tudo isso eu fiz) e se orgulhar de dizer que não trabalha fora. Ser mãe é SER presente, é educar, é ser a referencia de valores para seu filho, é amar muito e ser a principal parceria do seu filho na vida. Não, não to dizendo que eu sou. Aliás, se alguem leu o post direito, la em cima eu digo que queria muito uma babá pra me ajudar pra eu poder curtir mais meu filho. Sim, nem sempre eu sou a mãe que eu gostaria de ser e me culpo por isso. Mas agora, depois de tudo que vivi (e paguei algumas línguas na propria pele) e aprendi, nao bato no peito pra me auto promover, tampouco julgo quem faz diferente (ainda mais na internet).

Por enquanto a única certeza que tenho é que meu filho é uma criança feliz, e que eu aprendo todo dia a ser mãe, não nasci com esse "gen" não. O meu amor e relacionamento com ele foram construídos.

Falando nele,olha aí meu bebê, que hoje completa 11 meses. Beleza pouca é bobagem né?



Ps: Tava com muita saudade disso aqui. Muita fotA, videos e textos pra postar. Vamo que vamo.

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