Bom, primeiro PRECISO dizer que tô honrada com a repercussão que meu texto provocou. 25 comentários. Mais incontáveis RT's e indicações no twitter. Pra quem tinha ficado 2 meses sem postar tá OTEMO.
Então, tava aqui pensando em como responder os comentários. Se aqui, se no blog de quem comentou (E quem nao tem blog?) e...não cheguei a conclusão nenhuma. Vou pensar. Mas nao quero que achem que sou relapsa (tudo bem que eu sou, mas...) e ignoro, porque amo cada participação nesse blog, tanto que hoje terá um texto de uma leitora que se identificou com o texto, nao tem blog e pediu pra eu postar.
Antes de publicar, quero responder um comentário em especial, da Lillis. Algumas partes que vou comentar:
"(...) Acho normal que vc tenha vontade de ter uma babá ou que deixe seu filhote com seus pais quando precisa descansar. Mas também acho normal que algumas mães optem por tomar conta dos filhos full time. Mesmo que elas tenham blog e twitter e mesmo que reclamem dos filhos. Não acho que cabe julgar o jeito que cada uma escolhe cuidar de seus filhos.
Acho estranho vc não considerar um monstro uma mulher que não sente absolutamente nada pelo filho e ao mesmo tempo não compreender uma mãe que reclame do filho no blog.
(...) Por último eu preciso dizer que vc consegue olhar para as mães e tirar delas a culpa e a responsabilidade. Mas e os bebês onde ficam nessa história? Desculpa mas não tenho como não achar as suas idéias egoístas em muitos aspectos. Eu acho que ter filhos é sim uma escolha. Senão pra 100% das pessoas com certeza para todas as mães que tem blog e twitter. Essa escolha implica em responsabilidades para com o bebê que merece sempre o melhor de nós. Agora o melhor que eu posso dar ao meu filho não necessariamente é o mesmo que o seu e de outras mães."
Lillis, primeiro obrigada pelo comentário respeitoso, apesar de divergente da minha opinião, isso é fundamental. Segundo, vou responder aqui não pra te expor, mas para me explicar melhor às outras pessoas também.
Em primeiro lugar eu não quis julgar ninguém (e acho que não o fiz), ao contrário. Em nenhum momento critiquei as mães que cuidam do filho full time. O ponto é o oposto. As mães com babás/creches é que são julgadas, na maioria das vezes (como no caso da discussão do Twitter).
A questão de não compreender as mães que reclamam dos filhos no blog: compreendo, mas são justamente essas que batem no peito pra dizer que são supermães, que julgaram as outras. Eu particularmente não acho bacana ficar reclamando do filho o dia todo em redes sociais ("ai esse menino nao dorme", "ai que fulaninho ta um porre hoje", "ai que eu to doida pra ele crescer logo" e enfim...), acho uma exposição totalmente negativa da criança, mas legal quem curte, só não vem depois pagar de mãe perfeita. A questão é só essa.
Quanto ás minhas idéias serem egoístas, não acho que sejam não. Seu comentário tá cheio dessa lógica de maternidade divina. Querer tempo pra si, não gostar de realizar certas tarefas ou outra coisa pensando na mãe é NÃO PENSAR NO BEBÊ E SER EGÓISTA pra você.
Em nenhum momento apoiei a negligência, a verdadeira terceirização dos cuidados do filho ou qualquer outra coisa. É pensando no bem-estar das crianças, no caso do meu filho é que penso em estar bem, descansada quando der, sem culpa e feliz para dar meu melhor pra ele.
Outra coisa que pode ter ficado confuso no texto: gente, não deixei de acreditar no natural. Todos sabem que sou defensora árdua do parto natural, da amamentação prolongada, da educação por "apego", de tudo que torna a maternidade ativa, mas só acho que isso é mais construção do que gen predeterminado. Sou mamífera, mas como disse uma vez minha amiga @lelezinga, o que torna a mulher diferente das outras mamíferas é o poder de racionalizar. Sou mamífera sim, mas sou mamífera pensante e questionadora das coisas inquestionáveis,rs.

Por isso fiquei IMENSAMENTE tocada com o desabafo que postarei a seguir. De uma mãe real, sem máscaras, com medo de ser julgada inicialmente e que, com o meu texto viu que existem outras milhares de mães que também vivem algo parecido com a realidade dela.
O e-mail recebido:
"Bom, primeiramente quero dizer que quando entrei para o twitter foi porque eu queria descobrir novas coisas a respeito da maternidade e no fim acabei descobrindo que existem centenas e centenas de mulheres como eu. E vc é uma delas. Eu não entro para escrever mto mas sempre entro dar uma lida e me identifico mto com algumas de vocês. Acompanhei seu parto, narrado pelo seu marido e gritava para minha mãe cada vez que ele twittava alguma novidade. Ficamos eu e ela aguardando o nascimento do Miguel. Tenho 22 anos, solteira, sem namorado, uma mãe um tanto quanto instável e uma família bem complexa. Obviamente que quando falo da instabilidade da minha mãe, não significa que não deu apoio, sim ela deu muito apoio na gravidez, me disse coisas lindas de incentivo, mas depois que ela nasceu eu aprendi que só posso contar comigo mesma e o que vier dos outros é lucro. O texto abaixo fica a seu critério, se quiser postar no blog tudo bem, se não já fico feliz de desabafar e saber que alguém vai ler e me entender! Não vou escrever bonito, nem em tom poético, simplismente vou escrever meus sentimentos.
Beijos carinhosos.
Marina"
O texto:
“Isto é o desabafo de uma mãe reclamona, sem muitos motivos para tal. Sem ser redundante vou começar pelo começo: quando minha filhota nasceu eu tive medo, muito medo, que o pai dela quisesse pedir guarda compartilhada, levar para casa dele com ela muito pequena, interferisse na educação (a dele não é um exemplo de dignidade e caráter), então foi aí que começou o meu erro, fiz a minha filha se tornar o ser mais dependente da mãe que existe, ela nunca teve hora pra mamar, sempre mamou a hora que quis e nunca ofereci uma mamadeira de nada pra ela, dormia junto comigo, mamando a noite toda praticamente, fez meu peito de chupeta. O tempo foi passando o pai dela nem sinal de nada, sem querer se aproximar, visitas no máximo 1 vez por mês e junto da namorada ainda por cima.
Ela crescendo, completou seus 8 meses e mesma rotina.
Minha mãe sempre me criticando, brigando, falando que não é assim que se cria filho. Que ela come mta papinha pronta que eu devia cuidar melhor das roupas dela lavando a mão, que ela passeia pouco (tenho 45 kgs, ela 10 kg, meu prédio não tem elevador para descer com o carrinho e eu não dirijo), ai a pergunta é passear como e onde? Mas modéstia a parte e deixando as criticas de lado, eu sei que sou boa mãe, minha filha hj já tem 1 ano e nunca tomou um remédio, forte, linda, anda por todos os lados, elogiada onde passa, vive rindo, simpática, esperta. (se errei até agora foi comigo mesma e não com ela). Sem contar as brigas por causa do pai, que eu devia entrar na justiça, pedir pensão, só que sinceramente prefiro viver no aperto do que fazer isso. eu estou no 5º ano de Direito e sei o que um processo desses pode gerar, só que a maior parte dos gastos da minha filha são a minha mãe que cobre, então escuto td quieta.
Durante td esse tempo, me perguntava pq justo na minha vida foi acontecer isso, pq eu tive que engravidar dentre tantas outras mulheres que transam sem camisinha, porque eu? porque na minha vida as coisas são tão difíceis, pq eu vivo tão sozinha? Porque eu sinto um amor tão imenso e completo, mas não me sinto completa? Um dia vou poder voltar a ter a minha vida?
E agora td isso se intensificou a ponto de comprar o PPV do BBB e ficar vendo as festas e me sentindo nelas, como se eu tivesse ali dançando, bebendo, me divertindo, sem nenhuma culpa ou compromisso. (sim isso é a mais pura verdade, apesar de parecer um pouco patético). Mas ficar em casa sozinha de um lado para outro (sim todos na casa saem se divertir e eu fico aqui cuidando da filhota) toda as férias só podiam me causar uma loucura dessas.
Em janeiro minha pequena completou 1 ano eu tentei desmamar, para conseguir ficar mais independente, poder pelo menos ir num barzinho com as minhas amigas, mas não há maneira de fazer isso. (ela não dorme se não tiver no peito e acorda de 2 e 2 hs), foi ai que decidi, colocar ela na escola, procurei, pesquisei e matriculei para poder ir atrás da minha vida, eu não tenho mais tempo a perder, agora sou eu por nós duas. Arranjar um estagio, tentar me preparar para prova da Ordem, terminar a monografia. To me sentindo culpada, pois até eu achar um estagio (assim que terminar a mono) vou estar em casa e ela poderia ficar em casa comigo, mas sinceramente eu vou chegar no meu limite se isso acontecer, estou cada dia mais cansada. e acredito que com a escola o desmame seja mais fácil, ela ganhe uma rotina no sono. Torço para que tudo de certo e melhore e que seja bom para nós duas. Afinal temos uma a outra e isto basta. A força que eu sinto quando olho pro seu sorriso move montanhas e eu sei que essa sensação de que minha juventude e meu lado mulher morreram vai passar e tudo vai melhorar, mas por enquanto continuo seguindo cada dia entre erros e acertos e a certeza de tudo caminhará para um novo e lindo recomeço. A minha vida ainda está só começando e há muita coisa guardada pra mim nessa estrada.
Aprendi que ninguém nasce mãe, eu não nasci com o tal do instinto materno, que mãe erra e se culpa muito, e que a culpa é inerente a toda mãe. Aprendi que quando a gente erra estamo sempre querendo acertar, ninguém erra querendo errar. Aprendi ainda que ouvir os outros as vezes é necessário, mas as vezes da vontade de mandar um CALA A BOCA E NÃO SE METE. Aprendi que o tempo é o nosso maior amigo e inimigo, devemos sempre saber lidar co ele. E com certeza o meu maior aprendizado foi que um filho é uma dádiva concedida as pessoas, mas como toda dádiva traz um pacote de obrigações deveres e limitações e a nós cabe aprender a lidar com cada uma delas. O fato é que vence quem se adapta melhor as dificuldades. É isso!”
É isso. Marina, adorei sua participação e mais ainda sua coragem. Tem uma rede de mães pra te dizer: estamos juntas nessa coisa louca (no bom sentido) que é ser mãe, viu?
(Mas a MÃE PERFEITA manda lembranças. Leia
aqui o texto impagável da @bruxaOD: "Doriana e a terceirização de crianças")
Ps: Leia também o texto LINDO da @ligiane_castro
"Filho, eis aqui tua mãe" .E o da @tatianapassagem "
"Diga não ao buylling materno" !
Ps2: A frase direita do topo do blog está completamente divergente de minhas idéias, eu sei. Mas logo logo isso será sanado. Ass: Marília, a paradoxal.
Beijos