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terça-feira, 21 de setembro de 2010

Amor de vó/vô é diferente

As meninas do Mulher e Mãe (viram o selinho ali do lado? ---------> ) propuseram uma blogagem coletiva sobre o tema Avós,topei na hora!

Vamos lá:

"Tenho duas avós vivas.E dois avôs falecidos. Uma vó mora em Porto Velho (RO) e eu vejo somente uma vez por ano mais ou menos. A outra, a avó paterna mora aqui, e de certa forma é a vó que eu "conheci". Meu avô materno eu nem cheguei a conhecer. O vô paterno faleceu quando eu tinha 11 anos, mas me recordo bem dele.

Da minha vó Osmarina, mesmo a mais de 2 mil Km de distância, herdei muita coisa: o jeito "bichodomato de ser" (tipo, boba, ser passada pra trás, ter vergonha de trocar um produto, ter medo de elevador, timida, sabe?), o tipo sanguíneo (meu pai é 0+, minha mãe também e só eu aqui em casa sou 0- ), o gosto por feiras (adogo) e coisinhas baratinhas.

Da minha vó Filomena eu herdei quase nada, talvez a beleza (Oi?). Mas com ela aprendi o conceito literal de "vovó" sabe? Minha vó filó é aquela vozinha fofa dos filmes de sessão da tarde que mima até não poder mais. Até eu passar no concurso, ela me dava 5O reais todo mês, pra eu lanchar na faculdade. Ela compôs músicas para os 11 netos. Sim, eu tenho uma canção só pra mim (prometo fazer um vídeo dela cantando). Ela, já velhinha, tinha um bar. Um bar chamado "Bar dos dinossauros" com desenho dos personagens na parede e tudo e, onde nós, seus netos podíamos comer todas as balas, salgadinhos e Baré (lembram?) que quisessemos. Uma velhinha que fez e faz todas as vontades dos netos. Que sempre me achou magrinha demais e por isso frágil. E hoje, aos 82 anos de vida, me abraça e me diz TODA VEZ que me vê, que me ama demais. Que me faz morrer de amor sempre que diz que sou uma excelente mãe e que, ninguém nos ouça, Miguel é o bisneto mais bonito dela.



Minha vó Filó

Do meu avô Antônio, infelizmente só ouço falar. Sei que era garimpeiro. Sei que minha mãe era sua filhinha preferida. Sei que minha mãe o amava e o ama muito. Isso basta.

Sobre meu avô Raimundo eu sei de todas as histórias de boemia. De um homem que chegou em Brasília na sua construção e cozinhou para os peões que trabalhavam aqui. Da sua história com minha vó até o divórcio e de outras tantas com outras mulheres. Do amor exagerado que meu pai tem por ele. Era um velhinho que contava muitas histórias. Tinha tiques. Era generoso. Tinha e tenho um carinho enorme. 11 anos foi pouco, mas foi suficiente para eu amor meu avô. Muito.

Não existe amor mais delicioso que amor de vó/vô. Sem limite, sem disciplina, sem cobrança. Amor leve.

Agora que sou mãe, me vi muitas vezes repreendendo meus pais acerca da educação do Miguel. Não dá água. É só peito que ele mama. Suco não. Não agita ele. Não faz isso. Isso não pode. E eu entendo, sou mãe. É minha função colocar horários, limites, dizer a hora de parar. Mas a deles é de justamente ao contrário.

Lembro que meu pai sempre foi a favor de " corrigir", "cinto", "havaiana" e se hoje minha irmã ameaça disciplinar meu sobrinho ele vira bicho. Diz que não se cria filho assim. Quantas e quantas vezes eu senti dor, me machuquei, caía, reclamava e ele dizia "isso não é nada não, já passa". Hoje se Miguel, Davi ou Manuela (seus netos) tem uma febrícula, ele já quer ir ao Pronto Socorro. Minha mãe idem. É outra pessoa.
Quando eu falo qualquer coisa eles dizem que são pais 2 vezes. E são né?



Meu pai, quem diria, no chão brincando com o neto
Miguel tem duas avós e um avô vivos. E um avô(paterno) falecido. Todos presentes. É um sortudo. Pois todos disputam quem ama mais. E nem o seu Domingos escapa, já que mesmo não estando entre nós é o responsável pela genética corinthiana do gordinho.


Miguel com 15 dias de vida e a vó Rosa (mãe do Heitor)

Miguel no mesversário de 6 meses com a Vovó Sandra (minha mãe)

Tenho me policiado pra não ser chata demais e deixar eles cumprir a função deles: "estragar" meu filho.Doces, chocolates, descumprir minhas recomendações, Tv na hora errada, mimos, presentes demais tudo isso virá e uma certeza de que Miguelzinho terá uma infância feliz também, como eu tive.Que bom.

Em tempo: hoje estava dando o "mamá" do sono pro Miguel, ele quase dormindo e...meus pais chegam com meu jantar (já falei que não sei cozinhar?).Nem preciso dizer que ele despertou na hora. Brincaram muito os três (vovô, vovó e Miguelito) e a hora oficial de dormir foi pro saco. Bebê pegou no sono só agora pouco, depois de tanta estimulação. Mas dessa vez eu não fui a chata. Eles tavam com saudade do pequeno e sair da rotina assim, vez outra, com tanto carinho, não pode fazer mal.

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