Tem um bom tempo que quero falar sobre isso aqui e acho que chegou o momento, porque consegui alcançar a incrível marca de 6 meses de amamentação exclusiva (clap, clap, clap!).
Falo "incrível marca" porque fácil não foi. Minha mãe, meu pai, minha avó, minha sogra, minhas irmãs o os desconhecidos da rua insistiram: "dá uma aguinha, ele sente sede", "dá uma 'chuquinha' com suco", "já tá na hora de ele começar a comer frutinhas". Quando o ganho de peso dele foi baixo, até o Heitor cedeu e ficava falando que ele PRECISAVA se alimentar.
E eu pensava: "mas ele não está se alimentando? tem alimento mais completo que meu leite?".
Não dei nada, além de peitão nele.
Alguns chamaram de capricho, outros de radicalismo, outros de besteira.
Eu chamei de CUIDADO.
Sabe aquela história de que "amamentar é um ato de amor". Discordo. E esse texto
aqui aqui fala lindamente sobre isso.
Amamentar meu filho NÃO foi um ato de amor meu. Foi minha OBRIGAÇÃO enquanto mãe, saudável e com leite. Não acho mérito nenhum alimentar um filho com o alimento que meu corpo produz. E muito menos preferir dar esse alimento, que é só o que ele precisa, ao invés de dar outras coisas.
Sei que é polêmico, mas é o que eu penso. Vamos sair dessa poesia e pensar praticamente. No meu caso: eu tive leite, muito leite, nao tive nenhuma intercorrência: por que não amamentaria? Segui o ritmo biológico da vida. Os bichos são assim. Eu pari, eu amamentei.Acontece que tá tão fora de moda ser natural, acreditar no corpo, na vida, tanta gente enfiando fórmula artificial em bebê que amamentar tornou-se mérito.
Eu defendo a amamentação. Acho um momento sublime. Mas não é ato de amor, é ato de responsabilidade, quem sabe. A mãe que amamenta tá dando o direito da criança de ser alimentada com o que ela precisa.
Conceitos devidamente explicados, comemorei muito amamentar exclusivo por 6 meses por aqui. Foi difícil. É sim uma conquista MINHA chegar até aqui. Sabe aquela história de "dá uma aguazinha"? Então, ouvi muito isso, mas li, fui atrás, pra argumentar quem palpitava sobre a alimentação do Miguel.
Sabiam que dar água para o bebê antes de 6 meses de idade pode:
- Aumentar o risco de malnutrição, pois a água não tem valor nutritivo e enche o estomâgo do bebê para um espaço que deveria ser do leite materno, que mata a sede e nutre.
"Estudos mostram que dar água antes da idade de seis meses pode reduzir a ingestão de leite materno em até 11 por cento. "
- Dar água aumenta o risco de doenças, e outros alimentos também, quer sejam líquidos, quer sejam sólidos, são veículos de entrada de agentes patológicos. Os bebés correm o maior risco de exposição a organismos causadores de diarreia, especialmente em ambientes com condições precárias de higiene e saneamento. O leite materno garante o acesso do lactente a um suprimento adequado e prontamente disponível de água limpa.
Os benefícios da amamentação exclusiva, você pode ler aqui
aqui ó
Não dei uma gotinha de água, suco, chá ou fruta pro Miguel até ele completar 6 meses. Simplesmente porque NÃO HOUVE NECESSIDADE. Não há necessidade. Eu confiei no meu leite, que ele poderia suprir as necessidades do meu filho e ponto.
Não foi fácil. Muitas vezes fiquei me perguntando até onde estava indo a "minha vontade" de amamentar exclusivo e a necessidade dele de outros alimentos. A cena mais comum é: você está comendo algo (não importa se é chocolate ou macarronada) e seu bebê, fica olhando, babando quase, na sua comida. Todos em volta: "tadinho, ele tá com vontade", "que maldade com o 'bichinho'" e daí em diante.
Ora, bebês são curiosos por natureza e sentem cheiros, então é óbvio a vontade de desbravar aquele desconhecido (comida), mas não porque ele quer comer. Ele nunca experimentou nada além de leite materno, vocês acham que ele pensa "ai que vontade de mudar o cardápio"?. Não, óbvio, que não.
Aliás, acho que se dependesse dos bebês, eles se alimentariam de leite materno o resto da vida. Já pensou você ter tudo o que precisa, só sugando (sem ter que mastigar, morder), um seio quentinho e macio da pessoa que você mais ama no mundo? Pois é.
Esse
texto , da Rê, mamífera, fala mais sobre isso.
Dada toda a pressão que eu sofri pra introduzir alimentos sólidos no meu filho, eu consegui. Ainda não fomos ao pediatra, mas Miguel está na casa dos 7,5 Kg, ou seja, mais que dobrou de peso, após o nascimento.
É claro que minha situação foi mais confortável, pois minha licença é de 6 meses (e ainda tirei 1 mês de férias), sendo que a maioria das mulheres voltam a trabalhar no 4º mês da criança, e aí, realmente é outra situação. Mas lembro que a mãe pode ordenhar seu leite e deixar para outra pessoa ofereça em sua ausência. Parece surreal? A Anne (@annepires) conseguiu e é assim que eu faço também quando preciso me ausentar também.
Sou doadora de leite materno pro banco aqui (grata até hoje pelo excelente trabalho que eles fazem. Foram eles que "ensinou" o Miguel a mamar) e ainda tenho leite pra essas ocasiões. E aí que muita gente fala "ah, você tem muito leite", mas a verdade é que toda mãe tem o leite necessário para o seu filho e ponto. E o Miguel não fica sem leite por eu doar.
A lógica é essa: o leite materno é produzido a partir da demanda do bebê. Quanto mais ele suga, mais tem.
Se você oferece leite ao seu bebê em horários pré-determinados (alô Tracy Hogg),sua produção vai cair, óbvio.
AMAMENTAR EM LIVRE DEMANDA NOS PRIMEIROS MESES DE VIDA É ESSENCIAL pois a produção de leite está se estabelecendo perante as necessidades do bebê e colocar horários neste período pode ser perigoso para o estabelecimento da produção futura.
Não é raro ver mãe que acaba tendo que dar leite artificial porque antes amamentava em horários pré-determinados (aí o bebê não engorda como deveria, pediatra passa fórmula pra complementar, a produção cai até o leite secar e...enfim,ciclo óbvio).
Amamento em livre demanda sempre, desde o primeiro dia. Entendo que quem sabe das necessidades do bebê é o bebê. Se ele quer mamar de 15 em 15 minutos, é porque ele PRECISA..
A princípio, parece uma escravidão ficar à dispor da vontade dele de mamar, ou parece que sua vida será sempre essa bagunça de horários. Mas acredite, aqui temos uma rotina sim e imposta pelo meu filho. Dá até pra eu me programar pra tal coisa, sabendo que Miguel mamará por volta de tal hora. Mas é óbvio que não é assim, de relógio e também que tem dias que ele mama mais, ou mama menos, assim como nós adultos, acordamos dispostos ou indispostos pra um dia.
Sinceramente? Acho uma AGRESSÃO determinar hora pro bebê mamar. Sim. No útero, ele era alimentado constantemente, sem ter que fazer força, acalentado pelo som da sua mãe. Aí ele vem pra esse mundão de meudeos e é obrigado a ser alimentado em horários fixos. Fora que às vezes, ele nem quer mamar, quer apenas sentir o cheirinho da teta da mãe, o calor...e isso lhe é negado.
Miguel dorme a noite inteira, desde os 2 meses de vida e sei o quanto sou abençoada por isso. Mas por um bom tempo ele ainda acordava chorando na madrugada, e só calava quando encostava a boca no peito. era uma necessida dele,que respeitei, ao invés de negar porque era um "mau-hábito. Isso é mau-hábito? Acostumei meu filho mal? Enfim, mais sobre amamentação em livre demanda
aquiMeu filhote começou com as frutinhas no dia 02, seu mesversário e tá aceitando tudo, de primeira. Também continua mamando, como se não houvesse amanhã. Ele precisva ser tão perfeito?
Amamentar foi cumprir meu dever de mãe, de oferecer o melhor alimento ao meu filho.Mas foi meu dever mais prazeroso,sem dúvida.
Foi um ato de amor sim, mas do meu filho por mim.
É ele quem coloca a mãozinha no meu rosto enquanto mama.
É ele que larga o peito e dá um sorrisão branco pra mim.
É ele que me olha fixamente quando tá se alimentando.
É ele que tá me amando quando mama. Eu só faço minha obrigação.
(Só por esse parágrafo acima vale a pena amamentar. Mãe que é mãe se informa. Mãe que é mãe pede ajuda quando tá tendo problemas com a amamentação. Mãe que é mãe, busca informações antes de fazer o que o pediatra ou a vizinha fala. E por último, mãe que é mãe, não se sente menos mãe por não ter amamentado.)