Manu, Miguel e Davi
"Googlei" a palavra PRIMOS para ver se encontrava um texto, poesia, verso que falasse desses que são parte tão importante da nossa infância, adolescência, da vida. Encontrei textos de "amores de primos", que dizem ser pra sempre. Encontrei referências sobre a obra O primo Basílio. Encontrei muitas, muitas fotos de primos reunidos por aí. Talvez essas imagens valessem o que quero dizer, mas não.
Ao perceber o vínculo crescente que há entre meu filho e meus sobrinhos, (e os outros "primos", no caso, filhos da minha prima) senti necessidade de falar um pouco da importância de um primo.
Miguel já gosta de estar com os primos (mesmo apanhando dos dois). Chama "Manu" e "Avi". Com o mais velho - diferença de 2 anos - começa a nascer agora uma interação, visto que Miguel já conversa, corre, brinca as brincadeiras do Davi. Antes, ele era visto como um bebezão e Davi nem dava bola. Agora já brincam de "lego" juntos, um imita o outro, disputam brinquedos, inventam moda e claro fazem arte. Já Manu (1 ano e meio) é espoleta, carinhosa e desprendida. É daquelas que ficam felizes com qualquer coisa, se joga na bagunça, não chora por quase nada, não briga por colo, não se concentra em algo por muito tempo (só Toy Story, segundo a mãe). Miguel e ela são quase da mesma idade, mas não rola muita quimica não. Ela tem um pequeno "defeitinho" : beija, abraça, gruda demais. É a nossa "bebê-chiclete", mas o engraçado é que ela é assim mais intensamente com o Miguel. Ela ama ele. Que ama o Davi. Que bate nos dois. (Carlos Drummond, reiventei seu poema).
Entre tapas e beijos, eles estão se vinculando cada vez mais. Dividindo festas familiares, brinquedos de uso comum, o amor dos avós. Não dá para ficar no mesmo ambientes que os 3 juntos por muito tempo, porque a bagunça e barulho beiram o insuportável, mas no fim das contas, não dá pra não sorrir ao vê-los juntos.
Eu sei que é coisa de velho, dizer "poxa, foi um dia desse que..." ou "vi fulaninho nascer", mas olhar pra eles é lembrar da minha infância. Imaginar que eles vão crescer juntos. Chegar na adolescência juntos. Virarem adultos juntos. É lindo isso.
Os primos no aniversário do Miguel
Não sei vocês, mas foi com meus primos que vivi os melhores momentos da infância e adolescência. Sou a antepenultima neta ( de 11 netos) e da minha idade mesmo só tenho uma prima, a Jú (que foi a minha melhor amiga da infância e por quem tenho muito, mas muito carinho) , mas mesmo com a diferença de idade para o resto dos primos, compartilhei de muita coisa com eles.
Dividimos: a Avó mais vó de todas as vós, que nos mimava (aliás, mima até hoje) até não dar mais. Que vó já de idade tem um bar? Um bar chamado "Bar dos Dinossauros"? Pois a nossa tinha. E era no bar dos dinossauros que passavamos nossos fins de semana, regados a muita balinha, totó e sinuca e BARÉ de graça (quem nunca bebeu Baré não sabe o que é prazer na vida). Ali, a vózinha era a mais amada do bairro e dos bebuns e suas netas super respeitadas. Foi na mesinha do bar que ela nos ensinou a fazer tricô, amizades e a nunca, nunca abaixar a cabeça na mesa ("as pessoas podiam interpretar mal". Aliás, até hoje nunca entendi porque ela não deixava a gente abaixar a cabeça sobre a mesa). Foi lá que vi minhas primas mais velhas fingirem ser adultas ao colocar um rotulo de cerveja na garrafa de refrigerante, se sentindo as mais adultas (e tomaram no gargalo hein?). Foi na casa da Vó que fingiamos ser cantoras, apresentadoras de TV e paquitas da Xuxa. Foram as roupas (meia arrastão e jaqueta de couro) da nossa Tia Sônia, que morava lá, que vestiamos escondidas e morrendo de medo de serem descobertas. Eram os "bejus" (tapioca) da Vó que embalavam nossos fins de tarde. Algumas idas ao "Tear de Ouro" pra comprar lã, que nos deixavam felizes, porque sempre ficavámos com o troco. Foi na época do bar, que vi minha irmã arrumar seu primeiro namoradinho, que as vezes dormia lá (na mesa de sinuca, que fique bem claro - oi?) e nos dava também ás vezes, sorvete de graça (a mãe dele tinha uma sorveteria). Foi na casa da Vó com os primos, que participamos de inúmeros natais, com a Vó vestida de Mamãe Noel. Íamos embora sempre com um dinheirinho na mochila.

Festinhas de aniversário são tradição em nossa família
Dividimos: a tia mais bonita, legal e descolada que podíamos ter. Que nos proporcionava passeios ao MC Donald e pelo plano piloto, além de alguns presentes esporádicos. Nossa Tia Sônia era temida e amada, como um mito. Muitas vezes eu e Ju espiavámos ela namorar com meu futuro Tio Zé. Dividimos, já crescidos, o nascimento dos dois primos mais novos: Ana Terra e Pedro, que foi o maior acontecimento, porque a última "bebê" (eu) já tinha 7 anos.
Dividimos: a morte do nosso avô e da nossa Tia Maria e no auge de nossa infantilidade, ainda cantávamos Mamonas Assassinas na rede em minha casa, na vespera do enterro dela. Não sabiamos o que era a morte direito. Crescemos e entendemos as dores da vida juntos.
Dividimos: muitas confusões, polêmicas, brigas. Sempre antecedendo aniversários e datas comemorativas, trocamos ofensas e hoje, em tempos de facebook, até nos excluimos e bloqueamos de vez em quando, mas no proximo aniversário ou Natal, lá estamos nós nos abraçando de novo.
Jú, minha melhor prima- amiga da infância
Juntos ganhamos músicas temáticas (da nossa Vó). Juntos dividimos muitas roupas (é tradição na família dar a roupa usada pro familiar antes de dar para os "pobres"). Juntos pagamos muito mico. Juntos usamos corte de cabelos esdruxulos e juntos olhamos as fotos passadas e nos alegramos pelo tempo ter passado.
Hoje, cada um com seu "clã", núcleo, vida. Adultos, casados, com filhos, mais gordinhos, mais bonitos (outros nem tanto) ainda somos primos. Não tão juntos quanto antes. As férias não são na casa da Vó e não bebemos mais Baré, mas ainda sim o vínculo está ali.
E a melhor definição que achei sobre primos é essa (na verdade é sobre irmãos, mas vou pedir licença poética à Tati Bernardi):
Meu aniversário de 2 anos
"Ter um primo é ter, pra sempre, uma infância lembrada com segurança em outro coração."
Um beijo a todos meus primos e primas. Amo todos vocês.
Foto de 2004: Chácara do Tio Zé
(No Facebook de vez em quando rola umas coisas assim: "Nunca vi ninguém dizer que ama seus primos. Se você ama os seus, COMPARTILHA!" , como sou mais brega ainda, fiz um post pra dizer isso).