domingo, 25 de março de 2012

O que é um primo pra você?

 Manu, Miguel e Davi

"Googlei" a palavra PRIMOS para ver se encontrava um texto, poesia, verso que falasse desses que são parte tão importante da nossa infância, adolescência, da vida. Encontrei textos de "amores de primos", que dizem ser pra sempre. Encontrei referências sobre a obra O primo Basílio. Encontrei muitas, muitas fotos de primos reunidos por aí. Talvez essas imagens valessem o que quero dizer, mas não.

Ao perceber o vínculo crescente que há entre meu filho e meus sobrinhos, (e os outros "primos", no caso, filhos da minha prima) senti necessidade de falar um pouco da importância de um primo.

Miguel já gosta de estar com os primos (mesmo apanhando dos dois). Chama "Manu" e "Avi". Com o mais velho - diferença de 2 anos - começa a nascer agora uma interação, visto que Miguel já conversa, corre, brinca as brincadeiras do Davi. Antes, ele era visto como um bebezão e Davi nem dava bola. Agora já brincam de "lego" juntos, um imita o outro, disputam brinquedos, inventam moda e claro fazem arte. Já Manu (1 ano e meio) é espoleta, carinhosa e desprendida. É daquelas que ficam felizes com qualquer coisa, se joga na bagunça, não chora por quase nada, não briga por colo, não se concentra em algo por muito tempo (só Toy Story, segundo a mãe). Miguel e ela são quase da mesma idade, mas não rola muita quimica não. Ela tem um pequeno "defeitinho" : beija, abraça, gruda demais. É a nossa "bebê-chiclete", mas o engraçado é que ela é assim  mais intensamente com o Miguel. Ela ama ele. Que ama o Davi. Que bate nos dois. (Carlos Drummond, reiventei seu poema).

Entre tapas e beijos, eles estão se vinculando cada vez mais. Dividindo festas familiares, brinquedos de uso comum, o amor dos avós. Não dá para ficar no mesmo ambientes que os 3 juntos por muito tempo, porque a bagunça e barulho beiram o insuportável, mas no fim das contas, não dá pra não sorrir ao vê-los juntos.

Eu sei que é coisa de velho, dizer "poxa, foi um dia desse que..." ou "vi fulaninho nascer", mas olhar pra eles é lembrar da minha infância. Imaginar que eles vão crescer juntos. Chegar na adolescência juntos. Virarem adultos juntos. É lindo isso.


                                                    Os primos no aniversário do Miguel


Não sei vocês, mas foi com meus primos que vivi os melhores momentos  da infância e adolescência. Sou a antepenultima neta ( de 11 netos) e da minha idade mesmo só tenho uma prima, a Jú (que foi a minha melhor amiga da infância e por quem tenho muito, mas muito carinho) , mas mesmo com a diferença de idade para o resto dos primos, compartilhei de muita coisa com eles.

Dividimos: a Avó mais vó de todas as vós, que nos mimava (aliás, mima até hoje)  até não dar mais. Que vó já de idade tem um bar? Um bar chamado "Bar dos Dinossauros"? Pois a nossa tinha. E era no bar dos dinossauros que passavamos nossos fins de semana, regados a muita balinha, totó e sinuca e BARÉ de graça (quem nunca bebeu Baré não sabe o que é prazer na vida). Ali, a vózinha era a mais amada do bairro e dos bebuns e suas netas super respeitadas. Foi na mesinha do bar que ela nos ensinou a fazer tricô, amizades e a nunca, nunca abaixar a cabeça na mesa ("as pessoas podiam interpretar mal". Aliás, até hoje nunca entendi porque ela não deixava a gente abaixar a cabeça sobre a mesa). Foi lá que vi minhas primas mais velhas fingirem ser adultas ao colocar um rotulo de cerveja na garrafa de refrigerante, se sentindo as mais adultas (e tomaram no gargalo hein?). Foi na casa da Vó que fingiamos ser cantoras, apresentadoras de TV e paquitas da Xuxa. Foram as roupas (meia arrastão e jaqueta de couro) da nossa Tia Sônia, que morava lá,  que vestiamos escondidas e morrendo de medo de serem descobertas. Eram os "bejus" (tapioca) da Vó que embalavam nossos fins de tarde. Algumas idas ao "Tear de Ouro" pra comprar lã, que nos deixavam felizes, porque sempre ficavámos com o troco. Foi na época do bar, que vi minha irmã arrumar seu primeiro namoradinho, que as vezes dormia lá (na mesa de sinuca, que fique bem claro - oi?) e nos dava também ás vezes, sorvete de graça (a mãe dele tinha uma sorveteria). Foi na casa da Vó com os primos, que participamos de inúmeros natais, com a Vó vestida de Mamãe Noel. Íamos embora sempre com um dinheirinho na mochila.


                                               Festinhas de aniversário são tradição em nossa família

Dividimos: a tia mais bonita, legal e descolada que podíamos ter. Que nos proporcionava passeios ao MC Donald e pelo plano piloto, além de alguns presentes esporádicos. Nossa Tia Sônia era temida e amada, como um mito. Muitas vezes eu e Ju espiavámos ela namorar com meu futuro Tio Zé. Dividimos, já crescidos, o nascimento dos dois primos mais novos: Ana Terra e Pedro, que foi o maior acontecimento, porque a última "bebê" (eu) já tinha 7 anos.

Dividimos: a morte do nosso avô e da nossa Tia Maria e no auge de nossa infantilidade, ainda cantávamos Mamonas Assassinas na rede em minha casa, na vespera do enterro dela. Não sabiamos o que era a morte direito. Crescemos e entendemos as dores da vida juntos.

Dividimos: muitas confusões, polêmicas, brigas. Sempre antecedendo aniversários e datas comemorativas, trocamos ofensas e  hoje, em tempos de facebook, até nos excluimos e bloqueamos de vez em quando, mas no proximo aniversário ou Natal, lá estamos nós nos abraçando de novo.


                                                   Jú, minha melhor prima- amiga da infância


Juntos ganhamos músicas temáticas (da nossa Vó). Juntos dividimos muitas roupas (é tradição na família dar a roupa usada pro familiar antes de dar para os "pobres"). Juntos pagamos muito mico. Juntos usamos corte de cabelos esdruxulos e juntos olhamos as fotos passadas e nos alegramos pelo tempo ter passado.

Hoje, cada um com seu "clã", núcleo, vida. Adultos, casados, com filhos, mais gordinhos, mais bonitos (outros nem tanto) ainda somos primos. Não tão juntos quanto antes. As férias não são na casa da Vó e não bebemos mais Baré, mas ainda sim o vínculo está ali.

E a melhor definição que achei sobre primos é essa (na verdade é sobre irmãos, mas vou pedir licença poética à Tati Bernardi):

 Meu aniversário de 2 anos

"Ter um primo é ter, pra sempre, uma infância lembrada com segurança em outro coração."
 Um beijo a todos meus primos e primas. Amo todos vocês.

 Foto de 2004: Chácara do Tio Zé


(No Facebook de vez em quando rola umas coisas assim: "Nunca vi ninguém dizer que ama seus primos. Se você ama os seus, COMPARTILHA!" , como sou mais brega ainda, fiz um post pra dizer isso). 

8 comentários:

  1. Puxa, puxa que puxa, como diria o Julio do co co ri có... Amei! Tudo foi exatamente assim...

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  2. Nossa que texto lindo Marília! Adorei sua festinha de 2 aninhos. Agora eu sei a importância de fazer um bolo de aniversário (mesmo que seja simples, sem muito “glamour”) e reunir a família para guardas lembranças linda assim igual as suas em foto.
    Abraços

    Luciana

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  3. SONIA DE FÁTIMA TEIXEIRA LIEITA26 de março de 2012 11:22

    Puxa, hoje entendi porque existem roubos autorais, porque alguem assume como seu o que é do outro kkk, porque eu gostaria, e quem não gostaria? de ter tido tão linda expressão de amor?, puxa MARILIA, COMO VOCE É SENSIVEL!!!!, eu já tinha percebido isso, mas dessa vez, "foi demais", tudo muito lindo!, só não concordei muito com os esporádicos kkkk, ( afinal, eu sempre dei presentes, ora presentes, ora lembrancinhas rs,rs,ts,.) mas eu era realmente apaixonada, e parecia um sonho colocar vocês dentro daquele fiat 147 azul e levar pra agua mineral kkk( fantastico!!!!).
    ma vale comentar uma coisa: O BARE NÃO EXISTE MAIS, O BAR DOS DINOSSAUROS SUMIU NO TEMPO, AS EMOÇOES TOMARAM OUTRO CONTORNO, MAS, EXISTE UMA VERDADE AINDA VIVA, QUE PULSA, E ANSEIA POR ESSES MOMENTOS: É AQUELA VÓ QUE TANTO PROPORCIONOU LEMBRANÇAS E AFETOS(AINDA ESTA VIVA,)E PODERÍAMOS VIVER MAIS NOVAS EMOÇÕES , COM ACRÉSCIMOS FANTASTICOS: MIGUEL,DAVI,MANU,SAMUEL.DANIEL E PODERIAMOS ETERNIZAR ESSA ESSENCIA POR MUITOS ANOS AINDA, SE DEUS PERMITIR, AOS DOMINGOS E PORQUE NÃO? ALGUMAS ROTINAS VALEM A PENA RS RS RS. BJS.
    rs
    rs

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  4. SONIA DE FÁTIMA TEIXEIRAL LEITE26 de março de 2012 11:34

    PUXA! HOJE ENTENDI PORQUE EXISTEM PROBLEMAS COM DIREITOS AUTORAIS, QUE NÃO GOSTARIA DE TER ESCRITO ISSO?, PARABENS MARILIA PELA SENSIBILIDADE, PELA BELEZA DO TEXTO, TUDO FANTSTICO!!!!. QUANTO A MIMSÓ NÃO CONCORDEI COM O ESPORÁDICO ( PORQUE EU ENCHIA VOCES DE PRESENTES, E SEMPRE KKKKK), MAS A VERDADE É QUE EU AMAVA DEMAIS VOCES ,, E ERA FANTASTICO COLOCA-LOS TODOS DENTRO DO FIAT AZUL 147 ( KKK) E LEVAR VOCES PRA AGUA MINERAL ( QUANTA LOUCURA, EU SOINHA, COM TANTOS PESTINHAS KKKK) BOM DEMAIS.
    MAS HOJE VALE A PENA COMENTAR: O TEMPO PASSOU,O BAR DOS DINOSSAUROS CELEIROS DE TANTAS FANTASIAS, SUMIU NO TEMPO.
    A INFANCIA, TAMBEM PASSOU,.
    O BARE, AH! O BARÉ QUE DELICIA, JÁ NÃO EXISTE,.
    MAS SABE AQUELA VÓ, QUE PERMEOU TODOS ESSES MOMENTOS, QUE AMOU ALEM DA CONTA... AINDA ESTÁ VIVA, GRAÇAS A DEUS, E ELA AMARIA HOJE, VIVER NOVOS MOMENTOS COM GENTE NOVA NO PEDAÇÕ: MIGUEL,MANU,DAVI,SAMUEL,DANIEL, E QUE TAL SAIRMOS DA NOSSA INERCIA DOS DOMINGOS, E PROPORCIONAR A ELA ESSAS ALEGRIA QUE NA VERDADE É A ´ÚNICA COISA FECUNDA???. MARILIA DEUS ABENÇOE VOCE, E CADA DIA AUMENTE SUA SENSIBILIDADE E PERCEPÇÃO DAS COISAS, AMO VOCE!!!!

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  5. Sensibiliade, é esse o nome que se dá para tanta poesia, amei Marilia,Deus te abençoe cada vez mais, lhe dando cada vez mais percepçao pras coisas e sentimentos.

    'RECLAMAÇÃO": NÃO ERAM ESPORADICOS, ERAM CONSTANTES OS PRESENTES, FUI UMA TIA CORUJA KKK.RSRSRSRS.

    EU DESCOBRI RECENTEMENTE DO QUE TODOS VOCES FAZIAM NA MINHA AUSENCIA, TUDO COMPACTUADO A MINHA MÃE, A FAMOSA VOVOZONAKKKK, EU QUE CONFIAVA NELA, QUE CUIDAVA DAS MINHAS COISAS QUANDO VIAJAVA, E VOCES USANDO MINHAS BOTAS,SALTOS ALTOS, ROUPAS, BATONS KKKK, MEU DEUS, QUE DELICIA DE TEMPO..., VAMOS RETORNA-LO? VAMOS VIVER MAIS DOMINGOS COM A VOVOZONA QUE AINDA VIVE E PULSA?, E PIOR, O VIVER E PULSAR DELA É SÓ QUANDO ESTAMOS JUNTOS, NA MUVU TIA SONIA,.

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  6. Amei!!!! Sou participante mor de todas essas aventuras!!! Ainda lembro daquele apartamento da vó, antes do sobrado que tinha o bar... Brincávamos no "pavilhão", como ela chamava, não sem antes ela ter limpado ele todinho... Lembro de todo mundo dormindo junto no tapete verde da sala... que farra...E acordar com o pãozinho com queijo derretido por cima, assado no velho forninho, ao som da música "quem quer pão, quem quer pão, quem quer pão?"
    E as brigas com Klarissa e Luciana? KKKKKkkkkk....
    E meu primeiro namorado, o Emerson? Já me achava uma mocinha, mas era criançona ainda...

    A Tia Sônia foi muito bem retratada: um idolo e um mito, muito temida. Não podíamos falar alto de manhã para não acordá-la... E ela quando acordava só se arrumava ouvindo o som na maior altura, cantando Marisa Monte, Caetano Veloso e Legião Urbana. Foi ouvindo os discos delas que me apaixonei por MPB e Legião...

    Foras as roupas dela que eu usava escondido... Nunca vou me esquecer do meu tênis novinho que ela pediu emprestado e manchou... Aí para me recompensar me deu um M2000!!! UAU!!! Meu sonho se realizou!!!

    Muitas brincadeiras com meus primos, cantando New Kids On the Block!

    Muitos desfiles por mim organizados, com direito até a jurados (Cidinha, Valéria e companhia)...

    Ai, tempos muito muito bons!!!

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  7. Ah esqueci de falar de como adorei a forma que vc falou dos meus pimpolhos e a convivência com o Miguelito... É aquilo mesmo... rssss... Manu, que ama Miguel, que ama Davi, que bate nos dois...kkkkkkkkkkkkkkk

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  8. Olá, Marília. Meu nome é Lúcia Gomes Pinheiro, tenho 43 anos, sou casada e da cidade do Rio de Janeiro. Sou professora de inglês e gosto muito do meu trabalho. Creio em Deus, sou católica e tenho como principais valores a sinceridade, o respeito pelas pessoas e a vontade de crescer como pessoa e profissional. É claro que muitas vezes falho na busca de tais propósitos, mas estamos aí para tentar sempre. Atualmente, tenho estudado muito: estou tentando pesquisar e escrever sobre o "ser mãe na contemporaneidade". Eu não sou mãe! Você deve estar se perguntando, então, porque me cadastrei como membro do seu blog. Bem, Marília, essa é uma história um pouco longa. Na verdade, eu quis ser mãe, já que sempre gostei muito de crianças e de conviver com pessoas. Aliás, conviver com o outro é a grande delícia (e dificuldade!) da vida. Contudo, ter um filho não foi possível para mim (pelo menos não ainda, já que entendo que ser mãe não se restringe à esfera biológica) e, durante um tempo, isso me deixou muito triste. Foi ao constatar como a questão da maternidade (ou da não maternidade) tem impacto sobre como as mulheres se veem ou são vistas pelos outros que decidi investigar sobre o tema. Tal temática acabou se convertendo no cerne da minha pesquisa de doutorado em Linguística Aplicada, atualmente em andamento. Nas minhas incursões pelo Orkut, certo dia (há uns seis meses) me deparei com fórum intitulado “Mãe não é instinto”. Ao lê-lo atentamente, percebi que a participante na verdade estava citando uma postagem de um blog, o seu. Cheguei então até ele e, de imediato, me chamou a atenção a apresentação e reflexão sobre a maternidade em seus múltiplos aspectos. Deparei-me com discussões aprofundadas e instigantes sobre as implicações não só pessoais, mas também sociopolíticas da condição de mãe. Desde então, vez por outra, tenho acessado o seu blog, lido algumas postagens, assim como textos em alguns fóruns comunidades do Orkut. Agora, entretanto, após algumas leituras sobre metodologia de pesquisa virtual, resolvi redefinir o meu processo de geração de dados para a pesquisa. Refiz meu perfil no Orkut, sobretudo para conhecer mães, não mães e ter contato com os discursos circulantes sobre as diversas modalidades de maternidade no espaço virtual. Dessa forma, tenho visitado comunidades do Orkut dedicadas à maternidade e à não maternidade. E, seria muito importante também poder visitar e refletir sobre o seu blog. Gostaria, assim, de solicitar-lhe permissão para utilizar a plataforma do seu blog e postagens pertinentes ao meu interesse de pesquisa em futuros trabalhos que eu vier a desenvolver, escrever e apresentar em eventos, tais como, seminários e congressos acadêmicos, bem como, é claro, a própria tese. Marília, fique à vontade para acessar a plataforma Lattes (http:/lattes.cnpq.br) onde você poderá checar dados acerca de minha condição de pesquisadora. Assumo o compromisso de não identificar o blog por seu endereço ou quaisquer dos participantes cujas falas forem objeto de pesquisa, substituindo seus nomes/pseudônimos por outros nomes, bem como de colocar tarjas nos “olhos” no caso de fotos. Comprometo-me também a colocar, de tempos em tempos, no campo “comentários” postagens que esclareçam aos participantes cujas falas estiverem em um determinado tópico que eu resolva utilizar, minha condição e meus objetivos como pesquisadora. Se você julgar que o meu pedido não é pertinente, por favor, me desculpe imensamente ter feito você perder parte de seu tempo ao ler esse longo texto.
    Muito obrigada pela atenção,
    abraço,
    Lúcia. (luciagpinheiro@gmail.com)

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